A banda CACHORRO GRANDE, na turnê de seu 4º álbum, “Todos os Tempos”, passou por Jaú, tocando no GENERAL BAR, e Paulo Cestari, não pode perder a oportunidade e bateu um papo com Beto Bruno.
1 – A BANDA surgiu em 1999, lançou o primeiro álbum, de forma independente, “Cachorro Grande”, em 2001, e em 2004 ao procurar uma gravadora, o trabalho pelo motivo de “não ser radiofônico”, não foi aceito por ela. Qual foi a importância da REVISTA OUTRACOISA, leia-se LOBÃO, na divulgação deste álbum, intitulado “As próximas horas serão muito boas”?
Não foi só do Lobão, foi da editora e da Revista Outracoisa, o Lobão, claro, que era o cabeça lá dentro, mas o veículo era a revista, né. Nós estávamos... o primeiro foi lançado por um selo independente em Porto Alegre, não éramos nós que cuidávamos dos direitos dele, então a gente não pode distribuir da maneira que a gente queria, é... o disco do Lobão, daí o segundo já foi distribuído em todas as capitais, pelo menos, em todas as capitais. Quando o nosso disco chegou nas capitais a gente começou a fazer o circuito de festivais, saca? E ele saiu numa hora em que a Banda... se aquele disco não tivesse... saísse dois meses depois a Banda teria acabado, a gente já “tava” saturado do primeiro disco, decepcionado com o ex-produtor, com ex-gravadora “de merda”, lá independente, tal, só atrapalhou e tal e quando ele “pintou”, o disco saiu e a gente deu uma revivida, veio sangue novo pra nós e... na verdade aquele disco nos salvou. Também a gente “tava” super decepcionado porque nós gravamos e íamos lançar por uma gravadora, lá do Sul, que, pra nós que morávamos no Sul, na época, era uma gravadora grande, mas, mesmo assim, não é nada dentro do cenário nacional, não é relevante, e essa gravadora que ficou de lançar o disco, quando recebeu o material, não aceitou, disse que não era radiofônico, que nenhuma música poderia tocar no rádio e... nós não estaríamos trabalhando hoje numa gravadora se não pudesse ter a minha liberdade musical, toda a estrutura pra gravar o disco do jeito que eu quero, que sai da maneira que a Banda quer, então a gente resolveu não lançar pelo “cara”, mandamos tudo pra “puta que o pariu” e ficamos sem pai nem mãe, daí apareceu o Lobão e resolveu lançar o disco, um grande favor que ele estaria fazendo não só pra nós como pra cena underground do Rock’n Roll.
2 – Já tocaram em inúmeros Festivais, por exemplo: Abril pro Rock (PE), Bananada (GO), Mada (RN), além de outros. Como vêem a importância dos Festivais para a divulgação das BANDAS, e, sentem diferenças – público, visibilidade da mídia - entre o primeiro Festival que participaram ao último?
Têm festivais e festivais, né. Têm festivais incríveis que se fazem pelo Brasil: Festival de Fortaleza, lá, o Ceará Music, Festival de Verão de Salvador, o Planeta Atlântida, são todos ligados a empresas enormes, a estruturas enormes, fazem a parte deles também, “ta”, mas por outro lado a gente não deixou de fazer festival de porte menor, também, até porque a gente é uma Banda que não “tá” no mainstream nem no underground, a gente “tá” ali... sem pressa pra chegar a lugar nenhum, a gente “tá” querendo fazer música, então a gente curte fazer os dois tipos de festivais, festival independente e o principal festival da sua capital, como se deseja falar e tal, já tocamos no TIM Festival também, com Iggy Pop And The Stooges, com Supergrass, Nine Inch Nails, Bandas de nome internacional e ainda curtimos tocar no Festival de Ribeirão Preto, igual a gente tocou ontem, com NXZero, Planta & Raiz, com Bandas já de te menor, Bandas mais do nosso tamanho e os dois têm a sua função e os dois fazem a sua função, então, “porra”, os dois têm a sua importância mesmo que, cada um de seu tamanho.

3 – O 3º. Álbum, “Pista Livre”, 2005, foi lançado pela DECKDISC, emergente gravadora no cenário nacional, em que ponto este vínculo com uma gravadora auxiliou o trabalho da BANDA?
Eles que nos procuraram, né, cara, na real, a gente... logo que lançou o segundo disco, eles viram que a gente fez um barulho significativo pra um a Banda underground, né, pra uma Banda independente, então eles procuraram nós, e, eles já sabiam da nossa história com a antiga gravadora “podre” lá do Sul e já “tavam” vacinados com relação a CACHORRO GRANDE, eu tô trabalhando com eles porque eu posso fazer o que eu quero lá dentro, pra mim o mais importante que existe na vida do músico e da Banda é o disco, o disco sai como a gente quer, então tá perfeito, cara, cada um fazendo a sua parte, a parte musical eu faço do meu jeito, a parte de divulgação eles fazem do jeito deles, não interfiro muito pra eles não interferirem muito também na minha música, assim funciona uma parceria.
4 – Em maio de 2005, participaram do “Acústico MTV Bandas Gaúchas”, como foi pra vocês esse trabalho e, é sabido que a região Sul tem inúmeras boas Bandas, quais Bandas curtem do novo cenário musical brasileiro?
Sinceramente, eu não vejo diferença pra lugar nenhum, eu toco numa Banda de Rock, tá, eu me ligo nas Bandas de Rock, então, “tá”, é universal, cosmopolita, não interessa se vem da Bahia, se vem do Rio Grande do Sul, se vem de São Paulo, esse lance aí que teve do acústico dos gaúchos, lá, um acústico de nenhuma Banda consagrada, nem na época, nem hoje, isso significa que... foi um troço... determinador, assim, pra todos que... então quer dizer que o Rock gaúcho todas as Bandas são iguais, saca?, por exemplo, naquele DVD, ali, tem vários tipos de música: tem o Punk meio Brega do Wander, tem música mais Funk do Ultramen, tem aquele Rock “de bicha” lá, meio “de viado”, da Bidê ou Balde, e temos nós, que é uma Banda de Rock`n Roll mais clássica e tal, então isso desmistifica aquele lance que no Rio Grande do Sul todas as Bandas são iguais, isso pra mim é “do caralho”, e... muitos acharam que aquilo lá ajudaria a manter o rótulo, pra nós, afastou nós e é aonde a gente queria chegar, sacou?, odeio que chamem nós de Banda de Rock Gaúcho, nós somos Banda de Rock’n Roll, quando vai o Titãs tocar lá no Rio Grande do Sul, não dizem que é Rock Paulista, quando vai o Barão tocar na Bahia, não dizem que é Banda de Rock Carioca, né, eu não tô nem aí pra essa comparação, aí, não gosto de nenhuma Banda de Rock Gaúcho, eu gosto dos Beatles e dos Rolling Stones, esse negócio de Rock Gaúcho é “coisa de viado”, “veio” (risos, os meus). Na boa, cara, na boa, e as pessoas meio que se aproveitando um pouco desse rótulo, saca?, (a porcaria é “rotular” a coisa, como você falou). É, não,e daí outras Bandas lá, nada a ver, agora subindo aí pra São Paulo de gravatinha, chapeuzinho, cabelinho dos Beatles!? Nesse rótulo de Rock Gaúcho e, que, nem nós carregamos, não carrego bandeira, cara... e hoje me sinto super orgulhoso de “tá” morando em São Paulo, de onde minhas Bandas preferidas são... acho que é por isso que a gente vem tocar muito na tua cidade (é a quarta vez, né!?) quarta vez, quarta vez... (risos) (gostaram, né!!), gostamos muito! Os caras ainda chamam a gente pra tocar é porque alguma coisa tá legal, né, a gente fica feliz! (vocês vão ver como tá legal, daqui há pouquinho!), tomara...

5 – Li, na REVISTA OUTRACOISA, e se não estou viajando, li que preferem o DISCO aos shows. Por que esta ligação tão especial com o DISCO?
Não, aí que tá, têm duas opções, tu pode tá viajando ou eu quando dei essa declaração podia tá viajando, também, a ponto de não me lembrar disso, eu acho que os dois são tão legais quanto... pra mim, na realidade, gravar um disco é o maior tesão, mas na hora que tu tá na estrada e aquele disco tá rodando, é a melhor parte, é a parte que... quando tu vê que o teu trabalho como disco “tá” dando efeito, tá... tá gerando shows, essa daí é a parte mais significativa (é a interação, né, é o sentir o que tá rolando) claro, justamente, tu vê na cara das pessoas, elas cantando a música... (Também, falo disco, não na questão virtual, a coisa gravada; por exemplo, é muito bom pegar, ter contato com um LP por exemplo) Certeza, a geração de hoje não tem mais esse tesão, aí... Pô, cara, aquele lance de tu ir pro centro da cidade, comprar um disco, entrar num ônibus e ir pra casa vendo a capa... (não tem preço, né), não tem preço e... muito triste na época de hoje, sabe, a música não tá mais em primeiro lugar, faz muito tempo, a atitude tá mais na frente, a roupinha, o cabelinho, uma época em que tu grava, fica dois meses gravando um disco, um mês mixando, pra depois o adolescente escutar nas caixinhas do computador, não dá pra ouvir nada...
6 – Participaram do “Acústico MTV Lobão, e ”Luau MTV Nando Reis“, como é pra vocês tocar com estes grandes nomes de nossa música?
Em primeiro lugar, “bicho”, eu cresci assistindo esse caras... e, de repente em “tô” ali, do lado deles, dividindo o microfone... incrível, com o Paulo Miklos também foi assim, participou do acústico lá, nosso e tal... Então, porra, não dá pra explicar, eu só fico emocionado, cara, são momentos que eu vou guardar pro resto da minha vida.
7 – Falando em MTV, já participaram do “MTV Estúdio Coca-Cola”, com Nando Reis, e em julho deste ano, “Banda do Mês MTV”, nos fale sobre este “casamento”, quais os frutos colhidos?
É a maior divulgadora da Banda. A MTV na época do nosso primeiro disco, tocou o nosso primeiro clipe e aquilo nos levou a tocar... em cidades fora do Rio Grande do Sul, e, o que eles fazem por nós é incrível, a troca que tem entre nós é incrível, não tem... não tem nada a não ser a música envolvida entre a CACHORRO GRANDE e a MTV, entendeu? (o que é muito difícil hoje em dia), justamente... até porque a gente não tem grana pra pagar “jabá”, “tá” aí uma grande prova de que a MTV é honesta, se eles confiam que uma Banda tem o seu valor dentro do cenário, eles vão lá e dão oportunidade do público conhecer a Banda. As pessoas lá dentro têm suas opiniões e acreditam que a CACHORRO GRANDE tem uma função dentro do Rock nacional, hoje, então eles fazem questão de levar isso pro público, isso é pro Rock, também.
8 – O álbum mais recente, “Todos os Tempos”, tem maior participação de outros integrantes da BANDA, além de Beto Bruno e Marcelo Gross, na composição e na interpretação de algumas músicas, nos fale o que trouxe de bom à BANDA este algo mais?
Foi uma cobrança minha, talvez, em cima da galera, desde o primeiro disco, todos devem, é uma BANDA, eu não sou... eu não sou a Pitty, eu não sou o Nando Reis (não é, Beto Bruno e Banda), não é, aí é que tá, eu nunca seria, nunca deixaria acontecer isso, eu não tenho capacidade, saca? e isso daí só veio enriquecer a nossa música, todos cantando é um sonho desde o início... sempre quis, sou fã de Bandas assim, Beatles, Mutantes, Pink Floyd, todos compõem, todos cantam, cada vez vai ser mais assim, enquanto existir CACHORRO GRANDE eu vou brigar pra que cada vez seja mais assim...
9 – Ainda sobre o “Todos os Tempos”, existe alguma semelhança entre a sua capa e a do “Sargent Peppers”, dos Beatles?
Tem, tem sim, mais também com a capa do “Tropicália”... as coisas que a gente curte muito, também... e... tem a ver com coisas que a gente gosta, o nome diz tudo, “Todos os Tempos”, aquela idéia da gente “tá” no meio das pessoas, dentro do cenário pop brasileiro, a gente sempre parece ser pessoas de outro planeta, fora da época, e ali a gente “tá” com pessoas super normais, na capa, “pras” pessoas “verem” que nós somos... as pessoas têm que ver que nós também não somos “aqueles caras de preto”... com... fechados no mundo do Rock’n Roll, eu meu dou bem, com o meu... com o zelador do meu prédio, saca? eu “vô” no supermercado, sou amigo de todo mundo, não sou aquele cara radical, é isso que a gente quis dizer, sabe... a gente gosta de música! a gente quer fazer música! e não quer sair falando mal das pessoas ou da polícia, ou do sistema, ou do movimento, a gente quer tocar a nossa música e, porra, se as pessoas “tiverem” gostando, se divertindo junto “com nós”, aí seria perfeito, e é o que tem acontecido, cara.
10 – Já tocaram aqui, em Jaú, por três vezes, quais as imagens, lembranças que têm daqui?
Na real, eu confundo muito os shows daqui, porque a gente sempre vem aqui depois ou antes de um show, então é aquela coisa... eu não consigo lembrar muito deles, eu “taria te mentindo” se soubesse te dizer como é que foi cada um e tal, mas é o seguinte, o que sempre vejo é uma galera muito afim de Rock’n Roll, mesmo ouvindo essa música que toca antes e depois eles querem ouvir o Rock, tem uma galera que não é careta, ali, entendeu? a relação nossa é com a turma do Bar aqui, entendeu? os caras são simplesmente incríveis, incríveis, incríveis... é uma parceria já, porra! 4ª. vez que a gente vem, então quer dizer que eles também apostam na Banda, apostam no Rock’n Roll, também tão fazendo um favor pro Rock, se chamam nós tu acha que eu não “vô vim!?” tem que vir, né!? Tô... eu tô cara... meu sonho era tá na estrada, agora que eu tô eu não vou perder nenhuma oportunidade, saca?
11 – Tem planos de gravar um DVD Ao Vivo?
Tá na hora, tá na hora, eu não posso deixar perder esse pique que tá esse show, agora... já tem 4 discos e o 5º. tem que ser um “Ao Vivo”, não posso deixar de registrar essa turnê aí que agora que “fechô”, mesmo... “tamos se sentindo” mais Banda do que nunca e... não pode deixar de ser um “Ao Vivo”, agora... “vamo”... tô prometendo pra todo mundo um disco “Ao Vivo” da CACHORRO GRANDE e tem muita gente nos cobrando isso... é o que a gente quer fazer antes da metade desse ano, ainda.
Entrevista, por Paulo Cestari
Fotos, por Paula Ferrari